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Saturday, February 23, 2013

carta três - Margarida.

Penso que já chega de tentar remexer neste passado ainda tão presente. Ambas mudámos e, na verdade, ambas temos culpa mas nenhuma quer admitir. Talvez seja melhor assim.

Não me tentem dizer que é por termos mudado de turma - passámos um ano inteiro em turmas diferentes e nunca perdemos a nossa amizade, por isso, certamente, não será essa a razão. Este foi o segundo ano no liceu e, confesso, está a ser o mais complicado, mas também o mais recompensador, a todos os níveis. Este está a ser o ano dos acertos. O ano em que eu estou a aprender a distinguir as boas e as más pessoas, os bons e os maus amigos, os que estarão sempre lá e o que só estão quando precisam de algo.
Mudáste de turma novamente. Não foi essa a causa da nossa separação mas sim  a causa da tua mudaça. Não sabes qual é a sensação de termos alguém tão chegado a nós como tu eras para mim e, de um momento para o outro, percebemos que, afinal, nós nunca fomos suficientemente bons para mantermos essa pessoa do nosso lado.É frustrante, desconcertante. Bastou aparecer um outro alguém, que agora consideras melhor que eu e que, espero bem, nunca te dê razões nem provas do contrário. Mas bastou isso. Bastou aparecer apenas uma pessoa para que a nossa ligação se corrumpesse.Apenas isso, para eu finalmente perceber quem és e como és. Nunca duvides que gosto realmente de ti, e podes crer que vou cá estar de cada vez que precisares de mim, mas nunca mais esperes que volte tudo ao que era porque, na verdade, tu nunca quiseste saber.

E, vendo bem, talvez seja mesmo melhor assim...

Wednesday, October 31, 2012

carta dois - Joana.

Esta carta tinha de ser mesmo escrita para ti.

 
Não tens noção do quanto me custa falar em ti. Não sei porquê, mas custa-me imenso relembrar a nossa amizade.
Lembro-me perfeitamente dos nossos dias no infantário. Brincavamos no escorrega e andavamos sempre a tentar apanharmo-nos uma à outra. Dos almoços, as poucas recordações que tenho é a de não gostares de comer tomate e do Jorge enfiar ervilhas pelo nariz dentro. Após os almoços, dormiamos distantes uma da outra, mas eu lembro-me de não querer dormir de vez em quando para poder brincar com a minha Joaninha. Eu levava as Barbies para a escola e o João Miguel divertia-se a despi-las e a tocar-lhe nas mamas (nota-se que a taradiçe não é de agora...). Lembro-me de sair de lá do Infantário, do meu último dia lá, e de me dizerem que ias continuar lá mais um ano. Senti-me triste nesse dia...
Estivemos um ano sem falarmos, mas reencontrámo-nos no 1º ano. Curiosamente, ficamos na mesma turma: eu, tu, o João Miguel, o João Pedro, o Vieira... E assim continuámos. No 6º ano, andaste com o Pedro (aquele rapaz dos gémeos que entraram logo no inicio do nosso 5º ano, na nossa turma; o mais feiinho, mas o que sempre teve mais raparigas - sempre teve quem queria). Ele andou atrás de mim no 5º ano, e no 6º também, lembras-te? Mas eu sempre disse que não gostava dele, que ele era só o meu melhor amigo. Lá foste tu cair na asneira de andar com ele, mas isso nunca me fez impressão, eu gostava de ver-vos juntos.
Ficámos juntas até ao fim do 6º ano...
...Até que tudo mudou. E mudou radicalmente para mim, nunca me conformei com o facto de te ter perdido. A ti e a todos os outros.
No 7º ano as turmas mudaram, misturaram tudo. Perdi-te. Não me venham dizer que nos estavamos sempre a brigar uma com a outra, ou que faziamos birras e tentavamos com que os nossos amigos se afastassem de nos quando nos chateavamos - eramos crianças, é normal, e nós acabavamos por resolver sempre tudo. Fiquei sem ti, sem os gémeos, sem a Francisca... Vocês ficaram todos na mesma turma e a pessoa em quem eu me apoiei foi o Luís, que (graças a Deus) ficou na minha turma. Provavelmente, há mesmo males que vêem por bem, perdi-vos a vocês mas ganhei aquele que me considera como uma irmã e em tantos anos nunca me abandonou.
Ainda namorei com o Pedro no 1º periodo (e até hoje não sei o que me passou pela cabeça), mas nao durou mais de 2 meses... Entre nós as duas continuava a correr tudo bem.
Os dias passavam, os horários eram diferentes e muitos dos intervalos já não passavamos juntas. Quando queria estar contigo, esta sempre lá a tua outra melhor amiga, a Ju, e eu sinceramente não me sentia bem - porque eras TU a minha melhor amiga e não ela; o que eu te contava a ti, ninguém tinha de saber. Por isso, se, de dia para dia, nos iamos afastando mais, essa foi a razão que fez com que tudo realmente desmunerasse. Não te sintas culpada, nem culpes a Ju - ela é uma rapariga muito querida e simpática. A culpa foi nossa, apenas nossa...
No final do 7º já quase não nos falávamos, nem mesmo no msn nem no skype...
Há coisas que acontecem porque têm de acontecer: a nossa separação é só mais uma dessas coisas.
Ambas temos 16 anos neste momento, já saimos e já temos a nossa vida mais ou menos encaminhada. Estudamos no mesmo Liceu, estamos na mesma área e temos amigos em comuns. Mas, por mais incrivel que pareça, continuamos sem estar juntas, nem que seja uma vez num século. Nunca quis ficar sem ti, por isso é que me magoa tocar neste assunto.

 
Hoje passei por ti. Senti saudades. Saudades de tudo o que passámos e de ti tambem. Passei por ti, sorrimos uma para a outra, e sabes o que me apeteceu fazer ? Tocar-te. Eu queria não mais nada, apenas queria tocar-te a abraçar-te. E sabes o que magoa mais ? Saber que já não há intimidade para tal entre nós.

Saturday, March 31, 2012

carta um - Luis.

Conhecemo-nos desde os cinco, seis anos. Sempre foste alto babado, digamos de passagem, mas a verdade é que foste também sempre tu a única pessoa que nunca me virou as costas. Estivemos na mesma turma durante 9 anos. Tinha-te sempre ao meu pé, podia dar-te abraços e beijinhos porque tu sabias como retribuir. Talvez seja por ter estado habituada à tua constante presença é que sinto tanto a tua falta agora... Está a fazer agora um ano que me chamaste de irmã pela primeira vez, loiro. No último dia no colégio, ou melhor, na última noite, percebi o quão importante eras para mim - não que antes não tenha percebido, mas nessa altura tive mesmo a certeza. No final do baile, o pessoal subiu todo para o terraço e ficou a ver o fogo de artificio. Nós passámos esse curto espaço de tempo abraçados. Não sabes o quão bem isso me fez e ainda hoje faz, quando me lembro. Mas lembras-te do que me prometeste nessa noite? "Não interessa que mudemos de turma, eu não vou deixar de falar contigo tonta" - e sorriste. Confesso que me veio uma lágrima ao olho. No verão pouco estivemos juntos, mas ainda assim convidaste-me para ir dar um mergulho à piscina da tua casa. Tive pena de não poder ter ido, e ficou combinado para uma próxima vez, que ainda nao chegou. Por coincidência, fomos a 2 concertos e encontrámo-nos lá. Mais uma vez, vimos as actuações abraçados. Cheguei também a ir ver um ou dois treinos teus e tu, sempre que me vias, sorrias e abraçavas-me. Sempre foste alto e sempre cheiraste bem, portanto, para além do carinho que eu sinto por ti, siiiiim, sabe muito bem abraçar-te.
Sempre foste das poucas pessoas com quem eu consigo chorar e daquelas que mais se preocupa. Sim, para além de babado também és super distraído, mas eu sei que tu te preocupas comigo. Chegaste mesmo a chorar comigo quando me abraçaste no dia em que uma das minhas melhores amigas se foi embora da nossa terrinha. Ahh, e também sempre foste dos poucos rapazes de quem a minha mamã gosta. Como vês (e eu sei que nunca vais chegar a ler isto) só tenho boas recordações de ti - na verdade, em tantos anos, nunca houve uma unica discussão ou mau momento.
Esta história de estarmos em turmas diferentes anda a fazer-me mesmo mal à cabeça, mas é algo que não consigo evitar. Normalmente, é às quintas feiras, antes das oito da manhã, que estou mais tempo contigo. E nem chegamos a estar 5 minutos juntos. Mas eu gosto que chegues e só me cumprimentes a mim, enquanto as raparigas do "nosso grupo" ficam a olhar para ti naquela "só cumprimentas esta gaja?". Eheheheh, adoro isso.
Tudo isto para te dizer, novamente, que tenho mesmo muitas saudades tuas. E dos teus beijinhos. E dos teus abraços. E do teu perfume. E do teu cabelinho loiro. E dos teus olhos azuis, lindos. E também para dizer que, apesar da distância, eu sei que és daqueles amigos para a vida. Amigos não. Tu és mais do que isso. És mesmo meu irmão, e isso ninguém me tira, aconteca o que acontecer, passem os anos que passarem.

Desculpa, eu podia ter escrito sobre mil e uma pessoas, mas estava mesmo a precisar de escrever sobre ti.